quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Lembro-me daquele dia como aquelas manhãs de domingo em que chove, e chove, e chove. Como naqueles dias em que há neblina e aquela sensação de sufocamento por não ser possível enxergar a luz do sol. Aquele dia caracterizou-se dessa forma pelos curtos cinquenta segundos que durou, momento este em que o coração passou aquela velocidade comum quando se leva um susto ou quando alguem morre. Foi um dia triste, sem mas nem poréns. Foi um dia triste que remeche-se de vez em quando na minha cabeça, e o coração sente. Essa ferida aberta que ora parece estar cicatrizando e ora escancara-se, deixando o sangue morno rolar pele abaixo.
Não sou boa com datas, não recordo na memória os dias da semana que marcaram a minha vida. Era a tarde, o sol não se pusera atrás das casas de cores claras e luxuosas, repletas de pessoas desconhecidas. Os preparativos (atrasados) para o Natal estavam a todo vapor. Decidimos montar a árvore, com direito aquelas luzinhas brancas que me traziam aquela antiga sensação de dias quentes e felizes. Era Natal, era a alegria remodelada em forma de comida, família, calor e amor. 
Subindo as escadas, entrei no meu quarto. Mal sabia que dali alguns instantes o mundo viraria do avesso e de ponta cabeça. Entrei na Internet, esta que me mantém presa e triste, na maior parte do tempo e a odeio por isso. Fiquei sabendo, então, da notícia de que aquele sonho antigo e ingenuo, formado nos primórdios do ensino médio, foi roubado de mim e dado a alguém melhor. A princípio, nada daquilo parecia verdade, eu estava sonhando e acordaria aliviada, agarrando aquela crença boba de que mereço meus sonhos realizados.
Mãe, venha pra casa. Deitei na cama, olhei pela janela. Seria verdade? Lutei tanto. Estudei, dei duro naquilo. Mesmo assim, não foi suficiente? Não sou tão boa quanto pensei que fosse, e esse foi um dos piores erros que eu já havia cometido. Vida, esse foi o seu sinal. A dor de ver um sonho desmoronando e levando junto todas as suas perspectivas de vida e de si próprio, é aterrorizante. 
Chorei, chorei, chorei. Meus olhos tomaram o formato de uma lua triste e perdida, como se ela não soubesse se sua função seria ser dia ou ser noite. Estava perdida, queria a minha mãe pra me consolar e dizer palavras que eu sabia que não merecia.
Tudo tornou-se um grande borrão. As luzinhas na árvore apagaram-se na minha visão cansada e inchada pelo choro compulsivo, nervoso, perdido. Estava desamparada.
Dormi com a cabeça latejando e com o coração partido. Meus olhos bateram no título do livro amarelo e laranja de quinhentas páginas do DeRose. "Quando é preciso ser forte". Fiz disso o meu mantra para encarar tropeços na vida como esse. Seja forte, filha.

So why is my heart broke?

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Por favor, volte

Estava aqui agora mesmo. Juro que estava. Olhei pra janela por alguns curtos segundos, sei que foi rápido, uma olhadela e ela já havia sumido. Como é que pode, tão de repente? Mal tive a honra de aproveitar sua agradável presença.
Será que disse alguma coisa? Minha roupa está vulgar demais? Posso ter a assustado com meus discursos perdidos que nunca chegam a uma conclusão... É, só pode ter sido isso. Posso ainda a ter assustado com meu olhar hostil. Sim, sim, já me haviam dito que meus olhos passam essa sensação.
Melhor chama-la de volta, desculpar-me-ei cordialmente, com certeza não foi intensão a ter magoado. Muito pelo contrário, apreciei sua companhia até o último momento em que nossos olhos descruzaram-se, e os meus foram parar na janela encortinada do quarto. Mas que falta de educação! Deixar a convidada desamparada sem ter o que dizer... sou a anfitriã, o rumo da conversa sou eu que domino. A coitada deve ter se sentido desnorteada pela minha falta de atenção, deve ter pensado que a conversa não tomaria mais nenhum rumo, e que a minha pobre pessoa já perdera o entusiasmo no assunto. Nossa, que vergonha.
Chame-a aqui, por favor. Passaram-se dias e eu sinto falta da minha companheira. Não queria ter que implorar, manteria minha formalidade até o ultimo instante, mas é que eu simplesmente não consigo ver graça em uma vida sem a presença dela. Tudo torna-se tão cinza, tão nublado, parece a capital de onde eu vim. Lá as pessoas não tiveram a honra de ter a minha amada convidada em suas casas, elas não conhecem o quanto maravilhoso é sua presença. Não estou exagerando, apesar de parecer. Aqui coloco os mais puros dos meus sentimentos, nada disso é dissimulado. Pode até ser, e eu não perceba... Mas não quero mudar o rumo da história. Estou a beira de ajoelhar-me e pedir em prece a sua volta. Beijo-lhe os pés, mas volte. Colore a minha vida com seu brilho impagável. Renasça em mim aquela antiga pessoa que eu tanto orgulhara-me de ser... Esteja comigo, de corpo e alma, nessa busca pelo ideal. Por favor, volte, luz da minha alma, combustível aos meus ideais... Volte, felicidade.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Desde criança eu enxerguei a vida como um ciclo simples de três fases. Teria que vencer a infância, venceria os preconceitos de não ter o corpo das meninas da minha idade, iria pra escola e passaria de ano. Essa seria minha realidade até o último ano do colégio, rasa e nua feito azulejo branco. Seguindo com a aventura, sairia do colégio com a mente aberta rumo a faculdade, que finalmente preencheria esse vazio dentro do meu coração por algo substancial, tornando minha existência algo memorável. Quero fazer essa diferença que tanto falam.
Perdi minha vó com 14 anos, ela era a melhor pessoa da minha vida. Sinto falta dos bolos, de segurar a mão dela no banco. Minha vó me fez enxergar a vida como uma aventura que só garante felicidade para os que a não procura.
Vó, me desculpe. Eu procurei a felicidade nos quatro cantos do meu quarto, nas redes sociais da internet, no yôga, no fingimento corrosivo de um sorriso. Procurei-a nas pessoas, no ar dos parques, no sol que bate na pele. Procurei nos livros, nos filmes. Vó, me desculpe, você sempre esteve certa.
Eu gosto de sentir-me diferente. Gosto de imaginar-me como outra pessoa, de basear-me nas vidas alheias para construir a minha da melhor forma. Procurei os meus gostos e os vivo todos os dias, mas não na intensidade que considero ideal.
Queria pegar um carro velho e sair pela estrada rumo ao desconhecido. Queria sair da minha vida, ser dez pessoas diferentes no mesmo dia. Queria abrir a janela do carro e colocar a cabeça pra fora, sentindo o vendo forte da serra machucando minha pele. Queria viver na clandestinidade, fazendo o que eu amo com alguém especial. Queria uma vida louca, insana, aquela vida que a minha vó provavelmente reprovaria.
Nunca fui uma menina normal. Agora, mas do que nunca, contrario o que os meus pais dizem só pelo gosto de os fazer pensar diferente da maioria. As algemas que eles levam nas mãos eu joguei no quintal do vizinho, elas não servem pra mim.
Quero andar sem roupa pela casa cantando Lana del Rey nos tons desafinados que caracterizam a minha voz. Não vou pra academia, não vou pra aula de inglês ou pro cursinho. Vou na direção do que faz sentido nos meus ideais, e mostrarei-os ao mundo pelo caminho que me dá prazer, mesmo não sendo um Fernando Pessoa, ou um Carlos Drummond.
Ando pela calçada para não ser atropelada e ter meus sonhos tirados de mim. Eles são a minha alma, minha carne, minha personalidade. Não tenho sonhos enormes, são do tamanho perfeito pro meu coração. Alcançarei o que estiver alcançável, simples assim.
Liberdade.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Metas para a vida: ser igual a Lana del Rey, fazer yôga na praia, viver um romance desenfreado com um cara parecido com o Jim Sturgess, viajar o país de cabo a rabo e escrever sobre liberdade.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Monólogo

Nunca mais arrume os meus cabelos, peço que pare com essa tentativa de infiltrar-se nos meus olhos a procura de respostas, de brincar desumanamente com o que resta de sentimentos nesse corpo frágil. Deixe-me sozinha, quero enrolar-me nas cobertas e permanecer nessa inércia até que algo convidativo e colorido apareça e me chame pra dançar. Não tolerarei jogos psicológicos, e muito menos essa sua mania enlouquecedora de me ter em um sorriso, em um solo de guitarra, no olhar preso ao nada que me faz achar que estás a pensar em mim, que tudo que fazes tem o propósito de conquistar meu coração indesejável e tímido. Pare com essa mania. Pare, imperativo de alguém que não possui capacidade nem de controlar a si mesma, quanto mais os outros.
Uma vida, um ciclo, um período foi concluído. Com sucesso, sem sucesso, não sei dizer. Porém, todavia e contudo tenho alguns planos na cabeça que não vejo a hora de coloca-los em prática. A começar pela alma morena de olhos caídos e sorriso iluminador, que roubou-me a essência, destruiu meu caráter e me fez o que sou hoje, eternamente perdida no espaço, seguindo na direção de uma única luz que obviamente me guia até seus braços. Ah, pensei tanto nos seus braços. Imaginei a cena infinitas vezes e de trás pra frente, caso o ser que nos rege quisesse reverter a situação. Não perderia esse momento por nada, de estar em seus braços.
Aproximei-me criando coragem a cada centésimo de segundo que separavam nossos 4 metros de distância. Conseguia enxergar suas sardas ao redor do nariz, estávamos perto. O mundo paralisara-se ao meu redor, o ser regente havia escolhido a opção câmera lenta. Tudo o que havia treinado e repetido na cabeça durante aquelas tortuosas horas de noites em claro, esvaíram-se e voaram pela janela aberta atrás de nós. Qualquer frase dita por mim naquele instante eram frutos do meu subconsciente indesejado, o maldito. “Tchau, amigo.” E foi assim que despedi-me, sem beijo no rosto, sem apertos prolongados. Apenas aquele curto e gélido cumprimento sem afeto. Nossa, aquilo partiu meu coração em oito, nove, dez partes. Subiu-me o sangue nas têmporas, queria arranca-las e joga-las contra seu peito.
Situações assim tem de acontecer. Como seria capaz de crescer, de te deixar, finalmente, descansar em paz? Em quantas partes teria de quebrar meu músculo miocárdico para que conseguisse interromper com essa dor insuportável que é o amor não correspondido?
Eu o vi hoje de novo. Você usava aquele tênis que eu gosto tanto, e um violão pendurado nas costas. Mesmo que de forma inconsciente, meus pontos fracos estavam totalmente vulneráveis a sua presença e sim, ainda tive aquele gostinho muito bem conhecido de atropelar quaisquer vontades, esperanças e o próprio amor com um trator. Obrigada pelo trator, agora sei passa da hora de plantar novas sementes, de renascer.

Sonhos eu tenho transbordando pelo coração e pela cabeça, muito obrigada. Falta-me coragem de coloca-los em prática. Falta impulso próprio, falta tira-lo da minha vida, pois tudo isso só será possível sem que a minha mente cansada seja ofuscada pelo brilho indesejado dos demais. Deixe-me crescer sozinha.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Estive tão dependente da sua presença (e, ás vezes, era o que me bastava), que sentia-me vivendo a sua vida, e não a minha. Eu olhava minha aparência no espelho e não conseguia enxergar nada além do que uma pessoa desajustada, tentando achar brechas onde poderia executar mudanças, moldando-me nos padrões que talvez te agradasse. Seguia meus caminhos rotineiros ansiosa em te encontrar, em te ver e, por sorte, conversar. E só. Eu não precisava te tocar, te ter só pra mim. A sua presença naquele mesmo ambiente já garantia um dia feliz. Meu amor era visual, talvez uma das formas mais raras de amar alguém. Eu te tinha naquele espaço compartilhado publicamente, te abraçava nas risadas em conjunto, te beijava nas trocas de olhares não intencionados. Tentava entender seu universo, entrar na sua cabeça, te virar do avesso. E você nem desconfiava. Conectei-me a sua vida de forma tão intensa que isso massacrava-me por dentro. Todo esse processo de viver na sua sombra, de pressentir suas decisões e estar sempre a par de tudo, estar sempre presente, chutava pra penumbra preciosos momentos em que eu poderia estar trabalhando em ser... Eu. Poderia ter gasto meu tempo aprimorando, entendendo meu próprio e complexo mundo, e não atrofiando-o pra viver no seu,
Sinto muito pelo tempo perdido. Sei que foi perdido, sei que não valeu a pena. Mas cá estou eu, firme, forte, evoluindo a passos de formiga. Mas a certeza de ter me tornando um ser independente já é de grande satisfação, mesmo que isso ainda arranque pedacinhos do meu coração. Espero que esteja feliz. Espero que estejamos felizes.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Meus ouvidos presenciaram as mais rudes palavras
Que jamais, nem em mente, as proferi
Incapacidade de enxergar a vida como ela é
Ou foi tudo parte de uma personalidade forte
Que se auto-afirma?
Não
Forte eu aprendo a ser
Como uma eterna estudiosa dos próprios atos
Forte é quem eu quero ser
Daqui uns anos
Daqui, no máximo, 5 dias
Preciso ser forte
Preciso ignorar o mundo, fechar-me nessa
Bolha de sufocos
Falta pouco
Seja forte.

domingo, 17 de novembro de 2013

Declarações do miocárdio

Eu vejo a humanidade caminhando a passos de formiga na direção errada. Não procuro filiar-me a qualquer instituição que exponha teorias sobre o que é a vida, procuro aqui e agora apenas compartilhar um sentimento que tem arrancado pedaços do meu coração e anda impedindo meu sono. Preocupo-me tanto com o futuro e a vida dos que estão por vir que chego a esse ponto de lástima e corrosão interior. Não nasci pra viver no meu próprio umbigo.
A verdade é que o fato de já terem existido acontecimentos como nazi-fascismo, primeira e segunda guerras mundiais, escravidão, mortes na fogueira em nome de Deus, guilhotina, tortura, grupos de extermínio, o desmatamento de 98% da Mata Atlântica (não consigo pensar em pior chacina), criação de bombas atômicas visando o imperialismo e afirmação de poder... Deixam-me extremamente preocupada e, de certa forma, angustiada. Todos esse fatos podem ser resumidos em uma única palavra, que venho utilizando muito: desumanidade. Des, prefixo de negação. Humanidade, agir em prol dos demais. Recuso-me em acreditar que tais ações citadas sejam da natureza humana... A natureza é perfeita. Somos seres que supostamente pertencem ao auge da evolução, mas pelo o que conheço de história, desde os primórdios, desde quando se tem documentos falando de determinada época, essa tal desumanidade esteve presente. Deve-se levar em conta a cultura de cada povo, os costumes, os valores. Esses itens passam por constantes mudanças, e são de muita importância para explicar certos atos. O que me preocupa é a probabilidade que as ações humanas comprometam a vida futura, se esse lugar que deixarei daqui muitos anos (assim espero, pois ainda tenho muito a dizer e fazer), ainda terá pessoas que pensem e olhem além da linha de conforto. Tenho medo da globalização.
O mundo que vivo e presencio hoje está longe do que meus olhos inocentes consideram como ideal. Vejo pessoas passando por cima de outras, buscando afirmação de superioridade. Vejo indiferença com relação a vida alheia. Vejo a busca incessável por esse símbolo de papel que não acrescenta em nada no conteúdo ético de cada um, muito pelo contrário. Ele te corrompe, te faz viver uma vida sem sentido, te faz acordar todos os dias com a cara fechada e um coração poluído de rancor. Odeio saber disso. Vejo os valores invertidos, vejo o conceito de amor caindo no esquecimento.
Não quero parecer hippie, não trago essas palavras de nenhuma igreja, não tenho nenhum outro interesse a não ser passar esse meu descontentamento com a realidade. Prefiro acreditar que aquele político que roubou dinheiro público pra passar as férias no Caribe fez isso pois ele não foi capaz de amar, de perceber suas responsabilidades. Ele não foi amado, ele não sabe o que é contentar-se com qualquer outra coisa que não seja os itens materiais. Ele deixou-se corromper pelo mundo.
Espero contribuir com a ética. Espero, ao longo da minha vida, fazer com que cada vez mais as pessoas enxerguem o caos que assola as relações entre os países, entre os vizinhos, entre desconhecidos, amigos, familiares, a natureza. A mudança dever vir de cada um, mas para isso é necessário um incentivo, um exemplo de fora. Estou disposta a qualquer coisa que impeça o retrocesso. Estamos aqui para evoluir.
Guardo no peito uma enxurrada de sentimentos. Guardo no peito os sentimentos do mundo. Sufoco-me com os que trazem impurezas a alma, machuco-me sem ao menos possuir uma razão concreta.
Sou o cofre do rei, guardo os pensamentos e as emoções mais densas as sete chaves, escancaradas garganta abaixo. Não vejo a hora de descobrirem esse tesouro perdido e mostrarem ao mundo o quanto suas jóias brilham. Quero ser reconhecida. Até lá, vou juntando as peças desse quebra cabeça horripilante enquanto esquartejo a felicidade que tanto procuro.
Quero uma vida sem medos. Meu coração anda mais pesado que chumbo, tenho vontade de arremessa-lo no horizonte e virar as costas, andando no sentido contrário, deixando o vento bater com força nas minhas costas, encorajando-me a seguir em frente. Não quero mais sentir, pelo menos não desse jeito.
Quero chorar e afogar-me na mentira que eu sou. Não sou nada, não posso ser nada, nunca serei nada além disso. Não enquanto viver nessa camisa de força do meu próprio consciente. Não enquanto sentir medo.
Quero mesmo libertar-me de mim mesma.

sábado, 16 de novembro de 2013

Preces

Tem tanta coisa nesse mundo que poderia, de alguma forma, encaixar-se nesse meu coração incompleto. Estou farta de procurar alucinadamente no calar da noite, no barulho das teclas do computador (máquina perversa, fonte de dores e contentamentos momentâneos), no céu límpido, no calor da primavera. Nenhuma dessas maravilhas mundanas trouxeram o espasmo de que eu tanto falo, tanto busco. O cotidiano tem-se feito no progressivo aumento das olheiras e das incertezas de um futuro promissor. Lembro-me de que ano passado eu havia formulado um lema e pensara em pendura-lo na parede do meu quarto. "Não tenhas medo de viver a vida dos teus sonhos." Medo, eu sei que não tenho, mas e quanto as oportunidades, o destino, ou até mesmo aquela pitada de sorte que nunca me acompanha? Se sou escassa nesses elementos, que chance tenho eu de viver a vida que almejo? Eu só desejo, do fundo do meu coração, que Deus, Shiva, Jah, Budda, o destino, o cosmos, a sorte, a natureza e meu consciente estejam dispostos a trabalhar em sintonia para que o esforço não tenha sido em vão, que eu seja merecedora. Se não for, se realmente a vida está guardando algumas lições e sermões na manga, que seja. As lagrimas tendem a secar sozinhas.

domingo, 10 de novembro de 2013

Parágrafo da saudade

Sinto saudades suas, moço bonito. Lembro-me dos dias de calor e de vento batendo no rosto, de sentir a pele quente e convidativa. Sinto saudades do seu sorriso branco, sincero e legível. Perdia-me nas suas feições maravilhada com a existência, a vida tornara-se os sonhos que eu sonhei. Os sonhos que eu sonhei. Não precisávamos de nada além do charme daquela conversa casual e intima, éramos conhecidos de longa data apenas naquelas curtas três horas. As distrações estavam ali, o mundo corria ao nosso redor em ritmo desenfreado, nada mais me interessava a não ser aquelas palavras que você pronunciava tão poeticamente. Sinto saudades de tantas coisas mais que não pretendo gastar meu tempo falando sobre elas, tornaram-se imortais na minha memória, nos meus lábios, nas minhas vontades. Vontade de você, ou de alguém como você. Vê se aparece por aí qualquer dia, só pra eu poder parar de sonhar um pouco e voltar a enxergar a vida como uma felicidade realizável. Vê se aparece.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Você corre contra o vento
Contra o tempo
Contra a impassibilidade do mundo
Corre cotia na casa da tia
Anda em círculos
Repete a mesma doentia rotina dia pós dia
Corre cipó na casa da vó
Como interromper esse ciclo vicioso?
Como nadar contra a maré?
Músculos são feitos para isso, moça bonita
Estamos aqui para renovar, renascer
Pode jogar? Ninguém vai olhar?
Não.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Alma de camaleão

Eu precisei estar aqui sem mesmo saber com qual intenção. Não que eu apoie essa necessidade doentia de achar sentido em tudo. Para quebrar com qualquer ideia pré colonizada, aqui começo o que vem a ser a totalidade de uma vida clara como a manhã e confusa como a brisa que vem e vai, que fica porque quer e porque precisa. Aquela mesma pessoa perdida nas escolhas mesmo tendo em cada uma das mãos ferramentas que a levem onde queira ir.
Na cabeça perdura uma mente amarrotada de lembranças recentes e antigas, falsas lembranças e vontades nunca cumpridas. Na cabeça perdura uma mente que lateja de cansaço, mas reserva brechas para uma melhor aplicação da energia que ainda resta. São 11 horas da noite, chove, faz calor. Dada a descrição do tempo, parte-se a analise do ser. Este ser deita-se na cama demasiada quente, cobre-se com o cobertor até o pescoço e não dorme. Na cabeça perdura uma mente teimosa e angustiada com o curto prazo para o cumprimento das responsabilidades sociais. Odiava essa palavra, "responsabilidades". Desde que pintara o pequeno cartaz com dizeres em inglês acerca de liberdade e pendurara na parede do quarto, o que unicamente fazia sentido eram esses dizeres. Liberdade, meus irmãos. Li-ber-da-de, cada sílaba é pronunciada mansamente pela língua que mal encosta nos dentes. Doce de ouvir, doce de explicar. Contrariando os princípios, a palavra descia amargamente pela garganta na noite de terça, nada fazia sentido. Nada fazia sentido há muito tempo, nem se lembrara a última vez em que sentiu-se segura e pertencente ao mundo ao seu redor. O lugar não era aquele, as escolhas talvez estivessem apontando em direções erradas, o sentimento de perda e de saudade das coisas ainda não concretizadas. A realidade estava fora dos eixos.
Na cabeça ainda perdura uma mente brilhante que sente-se ofuscada pelo brilho exacerbado e ostentado pelos demais. Aquela mente não veio ao mundo para esse fim. Veio para mudar, para trazer consciência aos outros e aprimorar-se a cada instante. Aquela mente nasceu com olhos de águia, aquela que vê de tudo, sabe de tudo, consciente.
As vezes olho para trás, para os lados, para cima... Tudo é nítido, como um girassol. O espasmo da vida já está a acontecer. Como vou saber o melhor caminho seguindo pelo mesmo eternamente?

domingo, 22 de setembro de 2013

Eu me lembro

Deviam ter avisado que o último ano do colégio seria difícil. Isso devia ter vindo no calendário escolar, as possíveis datas quando o aperto no coração aconteceria. A questão é que tem muita coisa pra sentir saudade, tempo de sobra pra fazer acontecer e depois ficar relembrando na cabeça e salvando na memória todos os momentos indescritíveis de felicidade eufórica.
 Eu me lembro quando dancei no palco das maiores baladas da America Latina, lembro quando bebi com as minhas amigas e quando escorreguei no chão, levantando tremula nos saltos altos e rindo da minha própria situação de vergonha. Lembro quando conheci um menino incrível e o quanto foi mágico esse momento. Lembro do calor da praia, do mar salgado na minha pele. Lembro dos shots de tequila, de dançar na beira da piscina, de presenciar o pôr do sol. Lembro de cantar errado, de pular na cama do hotel, de comer pouco na janta pra me acabar nos doces. Lembro de como me senti quando ouvi fofocas sobre mim, de me arrepender por ter extrapolado. Lembro também de ter aprendido a me perdoar, a olhar o passado como o que ele realmente é: passado. Passou.
Lembro das minhas viagens, de virar a noite, de me encantar com a lua cheia. Lembro do Natal em família, das sobremesas, dos doces portugueses. Lembro das histórias da minha vó, de contar a matéria da prova pra ela. Lembro das férias de Janeiro e Dezembro, da vitalidade que o calor trazia. Lembro das minhas amigas dormindo em casa, de rir até a barriga doer, de amar e de tudo parecer certo. Lembro das agoniantes noites em claro em que o choro prendia na garganta e quando eu tinha medo de tudo, medo da vida. Lembro de engolir os livros, da sensação de ter tomado um rumo.
 Lembro das madrugadas das férias na internet, de assistir séries e filmes, de ter medo do futuro. Lembro da sensação de liberdade quando peguei trólebus sozinha na volta pra casa, da inscrição pro vestibular. Lembro da sua mão arrumando meu cabelo rebelde, de você dizendo brincando que já havia me beijado, de assumir que precisava de uma namorada. Lembro de ter pensado "olha eu aqui, babaca, me candidato". Lembro de mascarar meus sentimentos. De fazer 15, 16 anos. Lembro quando eu tinha medo de perder as pessoas, de ficar sozinha. Lembro dos shows, do fluxo de emoções ao ouvir certas músicas, de chorar de saudade da minha vó. Lembro quando perdi meu cachorro. Lembro de me sentir no fundo do poço, de ser feia, gorda, mal amada, ofuscada pelo brilho dos que se encaixavam melhor nos meios. De me sentir um alienígena, deslocada. Também lembro de me sentir bonita, de gostar do meu cabelo e do meu estilo de vida.
Quero continuar lembrando, porém com a sensação de que há muito a me esperar pela frente. Há muitas baladas pra ir, muitas pessoas pra conhecer, muito a que estudar, fazer, falar e concretizar. Muito a viver. 

I wish I could be forever this young. 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Como não querer o que seu coração mais pede? Como ignorar o desejo ardente de realizar um sonho? Como não sentir, como matar a facadas esse antigo sofrimento, não deixando nem as cinzas? Como esquecer alguém que te faz tão feliz? A gente não busca felicidade nessa curta vida terrena? Porque eu to tendo que abrir mão de parte dela? Eu não quero. Eu te quero, loucamente, ardentemente, conscientemente, perdidamente. Agora, aqui, minhas mãos descendo pela nuca junto as trocas de olhares que há pouco eram inocentes. Quero-te colado a mim.
E, se por alguma decisão de um destino amargurado, nada disso acontecer, te quero ainda mais na realidade. Teus olhos nos meus dizendo que não. Quero o tapa da rotina, a verdade nua e crua. Quero a palavra "amigos" soletrada ao vento, para entrar na cabeça, grudar nos neurônios. Quero, enfim, a felicidade em sua verdadeira forma, a que eu, e apenas eu, tenho condições de escrever.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Realidade ilusitória

É rir pra não chorar. Não é assim que dizem? Foi assim que me disseram. Você ri, enterra no depósito cardíaco o sofrimento e as desilusões, segue a vida. Engana-te. Da risada e finge, pretende, esquece, cai na folia. A gente vive assim, não é? Evitando os problemas, transformando-os em fantasmas parabólicos. Eles continuam ali, mas você os esquece, até quando der, até quando a vida permitir. Acho que vou chorar. Chorar pra esquecer, pra enfrentar a realidade, pra mudar o presente. Quem ri sem ter graça é ator, é quem encena. Eu vivo na vida real com o relógio me dando chicoteada nas costas. Não tenho tempo pra isso.

Sambando na cara do subconsciente

Alice gosta de Paulo. Alice não só gosta de Paulo, mas sente algo muito intenso e complicado. Alice e Paulo eram conhecidos de longa data. Um dia o destino quis dar uma remexida na vida de Alice e fez com que Paulo sentasse ao seu lado no colégio. Alice gosta de Paulo, Paulo não demonstra sentimentos. Alice quer que o colégio seja de segunda a segunda. Paulo falta nas aulas. Alice suspira, ouve músicas românticas e se corrói por dentro. Nunca teria o seu Jack, nunca seria Sally de ninguém.
Passaram-se anos. Alice gosta de Paulo. Paulo gosta de música, de filme, de dormir. Alice quebrou o coração. Milhões de vezes. Paulo admirava Ana, falava da Cláudia, pensava na Laura, gostava da Flávia. Paulo ia a festas, lia livros, ria, chorava, seguia linearmente na trilha da vida. Alice subia e descia na montanha russa descontrolada e não via a hora de descer.
Alice acordou num dia ímpar do mês e decidiu que nada daquilo valia a pena. O coração do ser humano não foi programado pra poluir-se de ódio, ciúmes, tristeza. Ele foi feito pra amar, amar certo. E foi assim que o laço que unia o passado ao presente foi cortado. Alice levantou da cama, corajosa. Aquele seria seu renascimento, a vida como deveria ser, viver por si só. Amar os outros, acima de tudo, e não sofrer por eles. O amor move o mundo, e não a lamentação por não ter Pedro. Pedro era legal, era bonito, simpático, inteligente. Mas cá entre nós, o João era muito mais interessante.

domingo, 18 de agosto de 2013

Cobertor coletivo

Dias frios, pessoas frias. Acordam de manhã já pensando no fim do dia. Amarram a cara, contraem os lábios, enfiam a mão no bolso e não cumprimentam o porteiro. A garganta queima com o café aguado do trabalho, as mãos pálidas recusam-se a pegar na caneta e deixar o trabalho pronto. Lá fora, o céu é cinzento feito calçada, feito o prédio da prefeitura, o ponto de ônibus, o poste do luz, o consultório de contabilidade, o rio poluído, o estudante que chegou atrasado no ponto, a atendente de caixa que brigou com o namorado, o motorista que ainda não foi pra casa. Tudo se mistura, tudo se combina, tudo complementa-se na pintura sem graça da cidade.
Forma-se uma nuvem carregada que está sempre a ameaçar a pior das tempestades. Essa nuvem é composta de todas as intoxicações inconscientes do dia a dia. A amargura, a inveja, o ódio, a raiva, o ciúmes, a superioridade, a timidez. Tudo isso fica aglomerado nessa nuvem negra que rodeia a cabeça dos pobres cidadãos. Ninguém sabe que a carrega, só os mais sensíveis. E assim passam os dias de inverno, uma hora aqui e outra ali, a nuvem se enche gloriosa.
A solidão bate na porta e ninguém quer deixa-la entrar. Ela bate de novo, toca a campainha, chuta, escancara. Vem o inverno e a pega pelo braço, entram juntos sem pedir licença, na maior cara de pau. O anfitrião mau humorado aceita a visita indesejada passivamente, sem saber ao certo por quanto tempo os impostores vão ficar, se é que vão um dia embora. Dias frios, pessoas frias, o tempo não para e ninguém se dispõe a contornar os acontecimentos indesejados. O café, o cobertor pesado, o chocolate e o abraço estão logo ali do lado, mas ninguém tem coragem de vencer a preguiça e ir lá pegar. Eu tava tão quentinha e aconchegada, tento descobrir quem foi o impostor que roubou minha coberta, quem tapou meu sol. Coisas assim não se perdem simplesmente, elas são tiradas de você. E agora, José?

quarta-feira, 31 de julho de 2013

simplificando

Hoje eu acordei sabendo que havia alguma coisa errada, seja comigo, com o dia, com o clima. Algo não estava girando conforme as demais engrenagens e me incomodava. Preciso por os pensamentos em ordem para que consiga encontrar e enfrentar o malfeitor que está travando a minha paz e o choro na minha garganta. Sinto muito se o texto sair meia boca ou muito íntimo, mas sei que é a única opção e o melhor remédio paras as minhas mágoas indecifráveis, que já não aguento mais viver em suas companhias. Será narrado em terceira pessoa, pois quero ter um olhar mais amplo da situação.

As unhas vermelhas lascadas apoiavam sobre o teclado do computador, indecisas sobre os comandos do cérebro, escrever ou não escrever. Na realidade, a decisão tomada era de passar para o papel tudo aquilo que a afligia, pois era assim que ela se encontrava, que se entendia. Havia um turbilhão de mensagens em sua cabeça, decidindo qual seria a melhor forma de começar esse auto retrato de seus medos. Nunca havia feito algo mais difícil. Começou:
"Hoje eu acordei sabendo que havia alguma coisa errada, seja comigo, com o dia, com o clima."
Parou. Quantas vezes havia tido essa mesma sensação, só naquele ano? As marés de tristeza iam e vinham, num espaço de tempo não regulado. Haviam dias que ela acordava bem, ansiosa para ver as pessoas que há tanto tempo divida amizade. Mas sempre tinha algo de errado, algo faltando. Quando eram dias de mau humor, de choro preso na garganta e uma tristeza devastadora, também havia esse algo que deveria estar ali e não estava. Será aquela pessoa de cabelos escuros, sentado na última fileira, de olhar sonolento, o motivo para essa sensação? Sim, infelizmente. Depois de tudo que ela havia passado, de todas as alfinetadas e punhaladas que ela havia levado, ainda sim sentia aquele desejo incontrolável de o ter só pra ela, gurda-lo a sete chaves em sua caixinha na estante.
Havia também o peso de um grande arrependimento, que lá no fundo ela sabia que era bobagem, mas como convencer seu cérebro a esquecer de algo ruim? As coisas ruins nunca são esquecidas, a não ser que você as supere. Ela não havia superado, pensava nisso todos os dias e se culpava. Já havia ouvido dos amigos que aquilo não era motivo para perder sono, mas quem mandou nascer com essa alma teimosa? Ela se corrompia por dentro, sem necessidade alguma. Mas que grande perda de tempo! Além de que, é também uma tremenda burrice. Tanta coisa pra se preocupar, ela ia justo no ponto que quase ninguém notava.
Alguém, por favor, salve essa menina dos dias de mormaço. Que seja ensolarado, quente, aconchegante, seguro e feliz. É tão simples.